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A que ponto chegamos

De acordo com o Código de Ética Profissional do Designer Gráfico no seu Artigo 6º – O Designer Gráfico, em relação aos colegas, deve empenhar-se em não solicitar nem submeter propostas contendo condições que constituam desleal competição de preço por serviços profissionais.

Pois bem, o a falta de ética que o artigo acima diz é um dos motivos da minha revolta de hoje. Recebi a notícia eufórica de um aluno de Design Gráfico (não vou citar o nome por questões éticas) de que tinha conseguido seu primeiro estágio. De cara fiquei super contente por ele, quando ele me contou aonde era e visite o site para conhecer, de cara fiquei pasmo. Eis aqui a descrição logo na página inicial da empresa.

Por que a iMarca?

Em apenas 7 dias o iMarca cria e envia 3 opções de logomarcas ou logotipos via internet, com design profissional de alta qualidade, estilo e inovação. O investimento na criação de seu novo Logo é R$ 399,00 (boleto, depósito ou débito. Crédito em até 3 x sem juros). Logomarcas ou logotipos com segurança e proteção no pagamento, além de um atendimento exclusivo.

Quando li a primeira vez tirei meus óculos para limpar e quando coloquei novamente confirmei o que li: 399 reais por 3 opções de “LOGOMARCA” (não vou entrar no mérito Logomarca x Id. Visual). A que ponto chegamos meus amigos? Eu ainda perdi 20 minutos do meu dia vendo o portfólio de “LOGOMARCAS” deles.

Bem, que existem empresas assim todos aqui já sabemos, o que me deixa triste é uma empresa dessa iludir esse estudante de que será uma boa experiência para ele. Será que R$500,00 + Transporte é uma experência legal sabendo que está insultando toda uma classe de Designers Gráficos?

Pessoal da iMarca: de micreiros o mundo está cheio, não prejudiquem nossos futuros designers.


16 Responses to “A que ponto chegamos”


  1. 22 julho, 2008 às 1:24 am

    Putz, tristeza neh, as vezes da vontade de chutar o balde e ir fazer outra coisa na vida, cinema, medicina, ser um vinólogo, sei la.

    Que profissão mais mal entendida a nossa.

    Bom, se ele acha que ser Designer é fazer essas coisas, deixa ele dar de cara no muro, mais pra frente vai perceber isso (espero). E essa “empresa” só ajuda a distorcer tudo mais ainda, a começar por esse nome iMarca.

    Triste, triste

  2. 22 julho, 2008 às 1:26 am

    Eu to torcendo pra ele ler isso aqui e entenda que estou fazendo uma crítica positiva pensando no bem dele. protegendo ele do mal da nossa profissão.

  3. 3 Ailton "Feliz"
    22 julho, 2008 às 1:27 am

    Caraca…isso é um derespeito total

    acabei de ir no site e vi 740 logos lá…se fizer as contas são R$288.600,00 com micragem

    Acho que isso revolta qualquer pessoa, mas isso mostra o quanto o mercado se prostitui nos dias de hoje….precisamos de algum orgão que fiscalize esse “mercado negro” que é a micragem mas além disse existem clientes que não pagam por qualidade e procuram certos lugares como este né…ae o errado é o cliente.

    Não podemos fazer muita coisa…como vamos falar para uma empresa dessa que isso é errado?

    O melhor que podemos fazer é cobrar o certo e apresentar fundamentos pelo preço cobrado e não fazer féira como nessa empresa….

  4. 22 julho, 2008 às 1:40 am

    Outro dia na PVDI surgiu o assunto, quando estávamos com um projeto de id. visual e o Rafael brincou comigo que ele queria montar um stand tipo “Faça sua marca em 30 minutos com a gente”. Mas não passou da brincadeira. Pois por mais possível que seja, para designers montarem algo assim, a idéia fica na risada mesmo por ser mais um sinal da banalização da profissão. Aliás, se não houvesse as barreiras éticas, e o respeito pela essência do que fazemos para viver, vale tudo. Afinal, design não é regulamentado então todo mundo é designer, e o mercado anda cada vez mais denso e competitivo né … Aí me vem uma história dessas ! ÓTIMO ¬¬
    Bom, eu só espero que aluno de faculdade veja que ele vale muito mais do que um início decadente assim. Espero que ele veja que é muito capaz de assimilar tudo que viu durante o curso e começar sua carreira correndo atrás de algo à sua altura, e condizente com as realizações que devem ser tragas pelo exercício do design.

  5. 22 julho, 2008 às 1:43 am

    Sem exageros, essa notícia conseguiu estragar minha noite.
    E pior: bem no meio das minhas férias.

  6. 22 julho, 2008 às 9:12 am

    Eu ja vi cada coisa que deixa cabelo em pé! Até cheguei a pensar em postar essas micragens no meu blog, mas achei que seria ibope demais pra essas “Agencias de programa”.

    Parece que está havendo algum movimento em Brasólia para regularização da profissão… vamos ver no que dá!

    e Nuno, esquenta não parceiro, merda existe em todas as profissões!!!

    Grande abraço
    Daniel

  7. 22 julho, 2008 às 9:57 am

    Nada contra os 500 + vale transporte, mas sim pelo m**** de lugar que o rapaz conseguiu esse “estágio”.
    Era mais fácil trabalhar de graça em algum escritório muito bom, pra pelo menos dizer que foi uma boa experiência.

  8. 22 julho, 2008 às 10:41 am

    hoje em dia a lógica é: quem pode pode, quem não pode se sacode… salve-se quem puder!

    agora falando bem sério: fico incomodada com essas propostas dessas empresas, mas para quem sabe fazer bem as coisas existe o seu espaço e para cobrar muito mais que 399 reais.

    no fundo, me dá um alivio de ter esses caras pq eu não quero que meu público alvo seja essa galera. eu quero poder cobrar muito mais que 399 e é aquela história quem pode comprar na daslu, vai na daslu, não vai na marisa… tem que saber qual é o seu real valor.

    acho que mais complicado é pra esse menino que talvez esteja se queimando sem saber… espero que ele perceba isso a tempo.

  9. 22 julho, 2008 às 12:08 pm

    Realmente, nosso mercado (não só o de design, mas o de publicidade em geral também) está completamente estuprado e prostituído.

    A gente vive um tempo em que qualquer um “pode” comunicar, dado o poder de disseminação de meios de comunicação como a internet.

    Só por causa disso, nego acha que pode fazer qualquer coisinha e faturar um troquinho numa nice. Mas não enxergam que existe muito mais trabalho, conceito, poder cognitivo e uma grande idéia por trás de toda uma identidade visual.

  10. 22 julho, 2008 às 5:15 pm

    meu DEUS…
    curioso fui perder meu tempo dando uma olhada no portfólio deles.
    reparem que a marca iTlab é a AT&T ecologicamente correta…

    fico puto com essas coisas!

  11. 11 Luiza Modesto
    24 julho, 2008 às 5:08 pm

    É revoltante! E o pior que é que esse tipo de coisa não tem ficado só nessas empresecas de micreiros. Vcs viram aquele concurso de ilustração da Bravo? O ilustrador teria que ceder todos os direitos, a ilustração poderia ser modificada ainda por cima e o ilustrador só teria como “prêmio” ver a sua arte na revista (se é que ela sairia como foi concebida)! O que aconteceu foi que o a associação de ilustradores colocou a boca no trombone e conseguiu que a revista voltasse atrás e revisse esse regulamento.
    Claro que não vai adiantar reclamar com a imarca, não é isso que eu to querendo dizer, mas não acho que a gente deva ficar calado tb! Não acho que mostrar nossa indignação sobre esse tipo de coisa seja dar um cartaz positivo pra esse lugar, pelo contrário. Acho que quanto mais gente souber desse absurdo, melhor! E pq não fazer coparações com outras carreiras? Não é todo mundo que entende o que a gente faz e as vzs é por falta de informação mesmo, não significa que não queiram entender! A gente tem é que se esforçar pra tentar fazer com que sejamos compreendidos e valorizados como profissionais! To muito engasgada com isso!

  12. 24 julho, 2008 às 11:20 pm

    Realmente o Design Gráfico tem dessas coisas. Eu no início já fiz muitos trabalhos por esse preço, mais por uma questão de sobrevivência, do que pela ética. Mas sempre pensava que poderia cobrar mais no dia que me formasse. Bem, todos sabem o quanto essa profissão é prostituída. Em uma negociação com o cliente rola sempre o que ele quer, da forma que ele está disposto a pagar… Mas todos podemos nos impor um pouco mais para tentar mudar.

    Já pelo estágio, acho que esse é o preço do mercado. É bem pouco, todos sabemos, mas o que um estagiário desses gera de lucro pela empresa é um absurdo!! Se ele ganhasse uma porcentagem por cada marca produzida, seria mais adequado… Do ponto de vista do aprendizado, tecnicamente ele vai evoluir com o volume de trabalho, mas irá se acostumar e aprender como desvalorizar a profissão.

  13. 7 agosto, 2008 às 1:13 am

    O portfólio deles me lembrou um banco de cliparts.

  14. 7 agosto, 2008 às 1:19 am

    Tá lá na página de notícias deles:

    “PECHINCHA
    Você quer uma marca? Vá ao http://www.imarca.com.br. Por um custo barato você sai com a sua logomarca sem ter que conversar com o designer. Tudo por e-mail.”

    É possível criar alguma coisa sem conversar com o cliente?? Com briefing ruim já é terrível, imagina sem briefing nenhum! “ô, faz um logo aí pra mim”
    Dá não…

  15. 25 novembro, 2008 às 6:46 pm

    desculpem meu codigo virou link… lá em cima é para incluir a rel=”nofollow”” no código do link.


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